MICHEL TEMER : FIM DA LINHA

dezembro 03, 2016
um pedido de impeachment contra Michel Temer (PMDB), no qual o presidente é acusado de também ter atuado para pressionar o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero para a liberação de uma obra de interesse pessoal do ex-ministro Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo).

Impeachment de Temer 


O líder do PSOL na Câmara, Ivan Valente (SP), afirmou que tanto Geddel quanto Temer praticaram os crimes de tráfico de influência e advocacia administrativa (uso de cargo público para defender interesse particular) e que Temer foi "condescendente" ao não demitir Geddel. "O interesse privado do ministro Geddel em um apartamento de luxo virou um problema da cúpula do governo", disse Valente.

Após pedir demissão, Calero afirmou ter sido pressionado por Geddel para que fosse revertida a decisão do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) que embargou a construção do edifício La Vue, em Salvador, onde Geddel comprou um apartamento. O órgão de patrimônio não permitiu os 30 andares do prédio em região de bens tombados da capital baiana.


Geddel, assim como o presidente Temer, admitiu ter tratado do assunto com Calero, mas negou ter pressionado o ex-ministro. O Iphan é administrativamente subordinado ao Ministério da Cultura.

A repercussão do caso levou Geddel a pedir demissão do ministério. Temer ainda não indicou o substituto.


Outros partidos de oposição também patrocinam uma ofensiva contra Temer. Parlamentares do PT devem pedir ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que investigue a atuação de Temer no caso. O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) articula com movimentos sociais e juristas a apresentação de um outro pedido de impeachment do presidente.

Temer nega pressão

Temer afirmou que sua conversa com Calero sobre o assunto foi uma tentativa de "arbitrar" um conflito entre órgãos diferentes da administração.

A obra foi embargada por um departamento nacional do Iphan após ter recebido parecer favorável da superintendência do órgão na Bahia. Na conversa com Calero, o presidente pede que o caso seja analisado pela AGU (Advocacia-Geral da União).

Temer também afirmou que a possibilidade de Calero ter gravado o diálogo entre os dois seria "indigno" e "gravíssimo". O ex-ministro da Cultura afirmou, em entrevista ao "Fantástico", que gravou uma conversa que manteve com Temer e diálogos travados com ministros do governo, sem especificar quais.

O STF (Supremo Tribunal Federal) considera legal o uso como prova em processos judicias de conversas gravadas por um dos interlocutores.

Tramitação
Para que seja de fato aberto um processo de impeachment, primeiro o pedido precisaria ser aceito pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que já declarou não ver no caso motivo para o impedimento de Temer.


Se aceito por Maia, para que o processo seja instalado, é preciso o apoio de ao menos dois terços dos deputados, ou 342 das 513 cadeiras da Câmara.

Valente afirmou que a hipótese de o pedido ser rapidamente arquivado por Maia geraria um "imenso desgaste político" ao presidente da Câmara. "Nós esperamos seriedade e isenção", disse.


DILMA e LULA vão a Cuba :Médico publica em twitter torce para avião cair no triângulo das bermudas

dezembro 03, 2016


Os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do PT, vão a Cuba este fim de semana para participar de homenagens ao líder cubano Fidel Castro, que faleceu na noite de sexta (25) aos 90 anos.




Segundo nota divulgada no site de Lula esta quinta (1º), os ex-presidentes estarão presentes às homenagens a Fidel na cidade de Santiago de Cuba, no sábado (3). Lula volta ao Brasil na segunda (5).


Os dois petistas lamentaram a morte do líder cubano. Em nota sobre o falecimento de Fidel, Lula o chamou de "o maior de todos os latino-americanos" e disse sentir sua morte "como a perda de um irmão mais velho, de um companheiro insubstituível, do qual jamais me esquecerei".  Resultado de imagem para LULA E DILMA EM CUBA
Já Dilma declarou que a morte de Fidel, "uma das mais influentes expressões políticas do século 20, é motivo de luto e dor". Segundo a ex-presidente, Fidel foi "um visionário que acreditou na construção de uma sociedade fraterna e justa, sem fome nem exploração, numa América Latina unida e forte".



Esta quinta, a caravana com as cinzas de Fidel Castro chegou à cidade de Santa Clara, onde estão os restos mortais de Che Guevara. Ambos lutaram na Revolução Cubana, que levou Fidel ao poder em 1959.
As cinzas de Castro serão depositadas finalmente no domingo (4) no cemitério de Santa Ifigenia, em Santiago de Cuba, onde também foi sepultado José Martí, herói da independência cubana.


Além de Lula e Dilma, participaram dos cortejos em Cuba os ministros brasileiros José Serra, das Relações Exteriores, e Roberto Freire, da Cultura. Serra e Freire representaram o presidente Michel Temer, que não compareceu ao funeral do ex-líder cubano, que governou o país por quase 50 anos.Fonte: Último Segundo - iG @ http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2016-12-02/fidel-castro.html



Além de Lula e Dilma, participaram dos cortejos em Cuba os ministros brasileiros José Serra, das Relações Exteriores, e Roberto Freire, da Cultura. Serra e Freire representaram o presidente Michel Temer, que não compareceu ao funeral do ex-líder cubano, que governou o país por quase 50 anos.Fonte: Último Segundo - iG @ http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2016-12-02/fidel-castro.html

ENQUETE: O Juiz Sergio Moro está sendo Imparcial com Lula ?

dezembro 03, 2016
Lava Jato ganhou popularidade por ter pegado peixes graúdos do empresariado. O Moro elevou-se com a fama de justiceiro, o Falcone das Araucárias. No entanto, vem ganhando força a sua parcialidade do Juiz   com o passar do tempo, a Lava Jato e seu principal condutor foram revelando vícios comprometedores. O espetáculo da condução coercitiva do ex-presidente Lula...

  
Enquete: O Juiz Sergio Moro está sendo Imparcial com Lula ? 

As empresas que financiaram o PT abasteceram o PSDB. Os patrocinadores do Instituto FHC são os mesmos do Instituto Lula. As delações que citam Aécio Neves foram esquecidas. Por que? 

O vazamento  da gravações  ilegais que envolvia  a Ex Presidente Dilma e Lula  ?

Por que algumas figuras são intocáveis por Sérgio Moro e pela Lava Jato?


Por que escândalos de corrupção envolvendo tucanos não avançam na Justiça? 

Presidente do PSDB, o senador Aécio Neves (MG) foi citado em mais de uma delação – numa delas como detentor de um terço das propinas de Furnas e… nada ?

     Visivelmente a Lava Jato escolheu alvos e excluiu outros ? 



É evidente que as investigações sobre corrupção são importantes e devem ser aprofundadas, mas sem as arbitrariedades, achincalhamentos e a seletividade de nenhum justiceiro de toga.qual a sua opinião sobre a forma que Juiz Sérgio Moro vem conduzindo a operação lava jato                                                                                                                 VOTE                                                                                        

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Michel Temer por medo de vaias, não irá ao estádio da chapecoense para homenagem

dezembro 02, 2016
 O presidente Michel Temer irá a Chapecó nesta sexta-feira, há receio de que Temer seja vaiado no campo de futebol, por esse motivo na irá ao estádio  prestar solidariedade após o acidente que matou 71 pessoas com a queda do avião da Chapecoense na última terça-feira.  A previsão é de que Temer fique no aeroporto da cidade, acompanhando a chegada dos corpos.


                           Michel Temer não irá ao Velório coletivo dos jogadores da chapecoense
                                                  com medo das vaias -conexão política
                           

A equipe do Palácio do Planalto que vai a destinos do presidente com antecedência chegou a Chapecó no começo da tarde desta quinta-feira. Pela manhã, o governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, reforçou o convite a Temer para que ele vá à cidade. Temer deve ficar somente no aeroporto, acompanhando a chegada dos corpos, que virão em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB).


O velório está previsto para o meio-dia na Arena Condá, estádio da Chapecoense, mas o horário da chegada dos corpos ainda não está fechado. Dos 71 corpos, 51 devem ser velados no estádio. Familiares terão uma hora de funeral reservado antes dos torcedores. Em seguida, os corpos serão levados às cidades onde serão enterrados. O clube espera mais de cem mil pessoas na cerimônia.


Há receio de que Temer seja vaiado no campo de futebol. Nas duas últimas experiências do presidente em estádios, no Maracanã, houve vaias. Ele foi hostilizado tanto na abertura da Olimpíada, em agosto, no Rio de Janeiro, quanto na cerimônia inicial da Paralimpíada, também no Rio.


O velório está previsto para o meio-dia na Arena Condá, estádio da Chapecoense, mas o horário da chegada dos corpos ainda não está fechado. Dos 71 corpos, 51 devem ser velados no estádio. Familiares terão uma hora de funeral reservado antes dos torcedores. Em seguida, os corpos serão levados às cidades onde serão enterrados. O clube espera mais de cem mil pessoas na cerimônia.





RENAN CALHEIROS É RÉU: Acusação de desvio de dinheiro público

dezembro 01, 2016

STF abre processo, e Renan vira réu sob acusação de desvio de dinheiro público


                                                     STF decide e transforma Renan Réu 
                                                                   conexão política 



O STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu nesta quinta-feira (1º) abrir ação penal e transformar em réu o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), pelo crime de peculato (desvio de dinheiro público). Os ministros do STF não aceitaram a parte da denúncia que acusava o senador também pelos crimes de falsidade ideológica e uso de documento falso.

É a primeira vez que Renan se torna réu em uma ação penal. Ele é investigado no STF em mais 11 inquéritos, alguns deles derivados de operações como a Lava Jato e a Zelotes. O senador nega ter cometido qualquer irregularidade.

Oito dos 11 ministros acompanharam o voto do relator, Edson Fachin, e decidiram abrir processo contra Renan pela suspeita de ele ter usado nota fiscais falsas para justificar o pagamento pelo Senado de serviço de locação de veículos para o gabinete do senador.

Votaram a favor do processo contra Renan, além de Fachin, os ministros Luís Roberto Barroso, Teori Zavascki, Rosa Weber, Luiz Fux, Marco Aurélio Mello, Celso de Mello e a presidente do Supremo, Cármen Lúcia. Votaram pelo arquivamento do caso os ministros Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes.


Três ministros -- Barroso, Rosa Weber e Marco Aurélio-- votaram a favor da abertura de processo também pelos crimes de falsidade ideológica e uso de documento falso, mas o placar não alcançou maioria.

Renan afirmou, após o resultado do julgamento, que vai provar sua inocência e que a denúncia apresentada possui "falhas". Em relação às suspeitas sobre a locação de carros paga com verba do Senado, Renan afirmou que os serviços foram efetivamente prestados e pagos em dinheiro.
"Os serviços foram prestados e pagos em espécie, o que é legal. O senador lembra que a legislação obriga o Ministério Público a comprovar [a acusação], o que não fez em nove anos com todos sigilos quebrados. A investigação está recheada de falhas", diz nota divulgada pela assessoria do senador.


A partir da decisão de hoje, o Supremo deverá ouvir o depoimento de testemunhas de defesa e acusação e analisar documentos apresentados na denúncia. Ao final do processo, será aberto prazo para nova manifestação da defesa do senador e também da Procuradoria. Apenas quando esse trâmite for cumprido, os ministros se reúnem novamente para julgar se Renan é culpado ou inocente da acusação que foi feita contra ele. Não há prazo limite para que o processo seja julgado.

O mandato de Renan na presidência do Senado termina em fevereiro, mas agora sua permanência no cargo pode ser ameaçada caso o Supremo retome o julgamento de uma outra ação. Em novembro, a maioria dos ministros entendeu que réus em ações penais no STF não podem ocupar a presidência do Senado ou da Câmara, já que esses cargos estão na linha direta de substituição do presidente da República. Um pedido de vista de Toffoli interrompeu esse julgamento.

O voto do relator
Fachin votou que Renan se tornasse réu apenas pelo crime de peculato (desvio de dinheiro público), por suspeitas de ter apresentado notas fiscais falsas para comprovar despesas com locação de veículos pagos pelo Senado. O senador teria simulado a locação para receber o dinheiro relativo à verba parlamentar à que os senadores têm direito.
A suspeita sobre a locação dos carros surgiu a partir de investigação do Conselho de Ética do Senado em 2007, na época iniciada para apurar o caso das despesas familiares do senador.

A denúncia contra Renan foi oferecida pela PGR (Procuradoria-Geral da República) ao STF em 2013. O senador de Alagoas é acusado de apresentar documentos falsos ao tentar comprovar a origem do dinheiro usado para pagar pensão a uma filha que teve fora do casamento. O caso, divulgado em 2007, foi um dos fatores que levaram Renan a renunciar à presidência do Senado. Na época, Renan foi acusado de pagar a pensão com dinheiro recebido de uma empreiteira.

Para justificar os pagamentos da pensão à sua filha, o senador disse que uma parte do dinheiro era proveniente de venda de gado e apresentou documentos, como notas fiscais e guias de transporte de gado.

A denúncia da Procuradoria considerou a justificativa da venda de gado como fonte dos pagamentos da pensão como falsa e apontou "inconsistências" nas notas fiscais apresentadas, segundo afirmou na sessão o vice-procurador-geral da República José Bonifácio de Andrada.


O ministro Edson Fachin, no entanto, considerou que a suspeita de uso de documentos falsos por Renan, para comprovar a legalidade dos pagamentos, já está prescrita. Ou seja, não é mais possível condenar o senador por causa do tempo já decorrido desde que os fatos denunciados foram praticados.

A prescrição é calculada proporcionalmente à pena do crime. No caso, o uso de documento falso tem pena máxima de três anos, se o documento for particular, e cinco anos, se o documento for público. Os documentos em questão foram apresentados por Renan ao Conselho de Ética do Senado em 2007.


Apesar de a denúncia envolver também documentos públicos apresentados por Renan –como as guias de transporte de gado--, cujo crime não estaria prescrito, Fachin entendeu que a acusação da PGR não especificou na denúncia quais são os documentos públicos falsos que teriam sido utilizados por Renan, e também rejeitou esse ponto da acusação.

O relator também rejeitou a denúncia pelo crime de falsidade ideológica. Fachin considerou que a Procuradoria não demonstrou quais eram as eventuais informações falsas inseridas nos documentos. "Cumpria ao Ministério Público apontar e demonstrar qual informação específica do documento está em desacordo com a verdade", disse Fachin.

Outros votos
Terceiro na votação desta terça-feira, após o relator Edson Fachin e o ministro Luís Roberto Barroso (que votou sim para as denúncias de peculato e uso de documento falso), Teori Zavascki acompanhou o voto de Fachin, mas fez críticas à denúncia apresentada pela Procuradoria, que chamou de "capenga" na parte referente à acusação do uso de documentos falsos por Renan para comprovar a origem dos pagamentos de pensão à sua filha.


Já o ministro Ricardo Lewandowski, sétimo na ordem de votação, criticou a demora da PGR para oferecer a denúncia contra Renan. "Causa a maior espécie que entre a data dos fatos e o oferecimento da denúncia transcorreram exatos cinco anos e cinco meses", afirmou Lewandowski.

Outro lado

Renan Calheiros afirmou, em nota divulgada pela presidência do Senado, que recebeu a decisão com "tranquilidade" e disse estar "confiante na Justiça". O senador afirma que não há provas contra ele.
"O debate entre os ministros evidenciou divisão e dúvidas quanto à consistência dos indícios do Ministério Público, qualificados como precários por vários deles, inclusive por alguns que aceitaram a denúncia. Não há prova contra o senador, nem mesmo probabilidades, apenas suposição", diz o texto da nota.
Antes da sessão, o advogado de Renan no caso, Aristides Junqueira, afirmou que a denúncia da Procuradoria não aponta adequadamente a participação do senador nos supostos crimes e, portanto, deveria ser rejeitada. "Denúncia que não descrever adequadamente o fato criminoso é denúncia inepta", disse.
Embate entre poderes
O julgamento do caso de Renan ocorre em meio à elevação da tensão entre membros do Judiciário e do Congresso Nacional.


Na última quarta-feira (30), Renan tentou acelerar a votação do projeto que cria o crime de abuso de autoridade de juízes e membros do Ministério Público, um dia depois de a medida ser inserida pela Câmara, numa votação que avançou pela madrugada, no projeto das chamadas medidas contra a corrupção. A manobra de Renan foi derrotada em votação no plenário do Senado, e o projeto terá que passar primeiro pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).

O projeto do crime de abuso de autoridade para magistrados e membros do Ministério Público foi duramente criticado por procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato, que ameaçaram renunciar às investigações caso o texto se torne lei. 

Em debate no Senado nesta quinta-feira (1º), Renan afirmou que a Lava Jato é "sagrada" e que a criação do crime de abuso de autoridade, previsto também em um segundo projeto no Senado, não tem a intenção de ameaçar a operação.viauol

PSDB de Aécio Neves foi o principal articulador para boicotar pacote anticorrupção

dezembro 01, 2016
 O resultado da votação, entretanto, disfarça os acordos costurados ao longo da tarde dessa quarta-feira (30). Interlocutores que participaram das reuniões garantem: Aécio Neves (PSDB-MG) foi o primeiro a articular a urgência da votação e o PSDB prometeu votos no requerimento, mas não cumpriu. Nenhum senador do PSDB votou a favor da manobra para acelerar a votação do pacote anticorrupção no Senado. 
Aécio contra a lava jato



Presidente do partido, Aécio trabalhou ao longo da tarde para costurar o acordo, que foi fechado com lideranças do PMDB, PT, PSD, PP e PTC. O tucano foi o principal articulador do pedido de urgência, afirmam fontes.

Se fosse aprovado o requerimento, o senador Roberto Requião (PMDB-PR), que é relator do abuso de autoridade, assumiria também o pacote anticorrupção para apresentar parecer favorável a todas as modificações feitas na Câmara. De acordo com o Ministério Público, o projeto foi desvirtuado pelos deputados.

Na noite desta quarta-feira, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), conduziu a manobra. O peemedebista, que não costuma perder votações e, quando observa clima desfavorável, prefere suspendê-las, acabou derrotado por 44 votos a 14.


À primeira vista, Renan pareceu sozinho em sua articulação. Mas, na realidade, líderes que participaram do acordo acabaram desistindo diante da reação do plenário. Renan insistiu na votação porque confiou no acordo firmado mais cedo.

Senadores que estiveram no jantar natalino na casa de Eunício Oliveira (PMDB-CE) após a votação relataram que houve constrangimento entre aqueles que prometeram o voto, mas não entregaram.



Reação

A estratégia era que o requerimento fosse votado sem alarde. Ao dar início à votação, Renan não mencionou do que se tratava. O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), ciente da manobra --e contrário à ela--, pediu que o conteúdo do requerimento fosse esclarecido.
Ao saberem que se tratava de pedido de urgência para o pacote anticorrupção, muitos senadores se voltaram contra a iniciativa. A reação do plenário não deixou outra alternativa aos articuladores da manobra senão abandonar a estratégia.


Senadores que participaram do acordo criticaram os líderes do PMDB, Eunício Oliveira (CE) e do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), que nem sequer estiveram presentes na votação para garantir a estratégia firmada. O líder do PSD, Omar Aziz (AC), que assinou o requerimento de urgência, também não estava no plenário no momento da votação.
As maiores críticas, entretanto, recaíram sobre o PSDB. De acordo com um dos senadores que participou das reuniões para a manobra, a bancada tucana foi orientada a votar fechada contra o requerimento de urgência quando Aécio notou que iria perder. Desta forma, o partido sairia insuspeito.

Outro lado

Em nota divulgada nesta quinta (1º), o PSDB informa que "são falsas as versões que vêm sendo difundidas sobre a votação" no Senado. "O senador Aécio Neves, consultado sobre a votação, reuniu a bancada do PSDB que se posicionou contra o caráter de urgência, decisão manifestada unanimemente pelo partido na votação", diz a nota.


A assessoria do senador Aécio Neves negou que ele tenha participado de qualquer reunião para tratar do assunto. Renan Calheiros, por sua vez, argumenta que não é autor do requerimento de urgência e que apenas cumpriu seu papel, como presidente do Senado, de colocar a proposta em votação.


O senador Romero Jucá (PMDB-RR) disse desconhecer qualquer articulação para acelerar o pacote anticorrupção e afirmou que estava no Palácio do Planalto no momento da discussão, razão pela qual também não participou da votação. Jucá chegou ao plenário já no fim dos desentendimentos.
O senador Omar Aziz, que assinou o pedido de urgência, afirmou que participou de reuniões para tratar do assunto, mas que a vontade do plenário é soberana. Ele avalia que, apesar da tentativa de urgência, a resolução final da questão foi a melhor possível e que agora o pacote vai tramitar com tranquilidade pelas comissões do Senado.

Senador Lindbergh a Moro: 'senhor não está acima da lei' e prova que juiz cometeu abuso de autoridade

dezembro 01, 2016
Senador Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou nesta quinta-feira, 1º, durante debate sobre o projeto de lei que pune juízes e procuradores por abuso de autoridade, que o juiz federal Sérgio Moro, da Lava Jato, também presente no Senado, "não está acima da lei"; "Não é sensato nem democrático considerar que uma tentativa de impedir um desequilíbrio na República, garantindo que todos sejam iguais perante a lei, é 'uma tentativa de controlar as investigações', como afirma Moro", disse; Lindbergh ainda questionou: "O senhor fala muito dos EUA, imagina um juiz de primeira instância do Texas gravar e divulgar conversa entre Clinton e Obama. O que aconteceria com ele?"; 


                                
Senador Lindbergh a Moro: 'senhor não está acima da lei'


                                                   vídeo






Em meio a um clima de tensão entre os poderes Legislativo e Judiciário, o Senado realizou, nesta quinta-feira, debate público sobre projeto de lei que tramita na casa e trata da tipificação de crimes de abuso de autoridade cometidos por magistrados e procuradores. Participaram como convidados da discussão os juízes federais Silvio da Rocha e Sergio Moro, além do ministro do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes. Após a exposição dos convidados, a sessão foi aberta à participação dos parlamentares. O clima esquentou na vez de Lindbergh Farias (PT-RJ), que usou seu tempo para defender o projeto e questionar possíveis abusos cometidos por Moro na condução do processo da Lava Jato na 13ª Vara Federal de Curitiba, sobretudo no caso envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O magistrado disse que não poderia comentar os casos envolvendo o processo, mas respondeu o senador dizendo que o projeto em discussão seria uma afronta às investigações.
Confira a transcrição de parte da discussão:


Senador Lindbergh Farias (PT-RJ): Uma lei contra abuso de autoridade no Brasil é uma necessidade, e, por isso, acho que esse é o momento de discuti-la. Mais do que uma necessidade, uma nova de abuso de autoridade é uma urgência. Diariamente, o povo brasileiro sofre na pele o abuso de autoridade. Segundo dados do CNJ, 21 mil casos de abuso de autoridade foram catalogados em 2015. Ontem, teve aqui a votação da audiência de custódia. Nós temos 600 mil presos. Destes, 240 mil em prisão preventiva – e a sorte é que o CNJ implantou a audiência de custódia, porque, antes dela, existia prisão em flagrante, o preso demorava uma média de seis meses para ser levado ao juiz. Vossa excelência também falou da violência. Fui o relator da CPI sobre assassinato de jovens. Há um verdadeiro genocídio no país. Morrem 59 mil por ano assassinadas, metade jovens, 77% jovens, negros, moradores das periferias. E lá, como bem falou vossa excelência, não tem mandado de busca e apreensão para entrar na porta da casa do cidadão morador na favela, é pé na porta.
Trago aqui as palavras de Pedro Aleixo a Costa e Silva no dia da assinatura do AI-5. Disse ele: "o problema de uma lei assim não é o senhor, nem os que com o senhor governam o país. O problema é o guarda da esquina". Agora, na minha avaliação, tem que haver abuso de autoridade para todo mundo: polícia, deputado, senador... e também para o Ministério Público e o Judiciário. Impressiona algumas corporações entrarem nesse debate dizendo o seguinte: "não. Ministério Público e o Judiciário ficam fora do abuso de autoridade". Impressiona também algumas entidades de classe dizerem que é ataque ao Judiciário quando aqui foi formada uma comissão de senadores para discutir salários acima do teto. Tem desembargador e juiz ganhando R$ 90/100 mil. Isso não é ataque ao Judiciário. Agora, a discussão não é abuso de autoridade tirando Ministério Público e Poder Judiciário. A discussão tinha que ser outra. Tinha que ser: como construir uma lei de abuso de autoridade que não atrapalhe as investigações. É a isso que nós devemos nos deter aqui.

Conversei com os membros do Ministério Público e concordo com eles quando dizem o seguinte: "Olha, o Ministério Público é responsável por abrir o inquérito. Se eu não consigo colher provas mais à frente para apresentar uma denúncia...". Ele não pode ser responsabilizado, porque ele está trabalhando inicialmente com indícios.
Eu falo aqui porque nós queremos investigações amplas neste país. Agora, investigações dentro da lei, respeitando a Constituição. E falo isso com a autoridade de fazer parte de um partido que é muito atacado, mas a gente não teria essa legislação de combate às investigações sem os governos dos presidentes Lula e Dilma. A lei de organizações criminosas, e aí tem delações; a lei de transparência, a lei de acesso à informação; a constituição do CGU, a nomeação do promotor do Ministério Público mais votado. Porque antes, lembro-me na época do Fernando Henrique Cardoso: tinha o "Engavetador-Geral da República". O Brindeiro foi o 7º votado. Não. Com nós, é autonomia do Ministério Público plena, colocando o mais votado. As operações da Polícia Federal: em 8 anos de governo Fernando Henrique Cardoso, foram 48, seis por ano. Nós aparelhamos a PF e saltou de uma média de 6 por ano para 385. Por isso, eu digo: nós queremos investigação, mas tem que ter o respeito à lei e à Constituição.
Nos impressiona e preocupa a generalização de medidas e exceção, o uso abusivo de prisões preventivas para forçar delação, o uso abusivo de interceptações telefônicas, vazamentos. A discussão sobre direitos e garantias individuais, a presunção da inocência. Nos preocupa a seletividade quando se trata de agentes públicos, porque está na cara que tratam as organizações de esquerda, o PT, de forma diferenciada nesse processo todo.


E aí, digo, com todo respeito ao juiz Sergio Moro – não deixa de ser interessante vossa presença para discutir abuso de autoridade. E quero mostrar que há abuso de autoridade no Judiciário também. E digo no caso das conduções coercitivas, algo em torno de 200 na Lava Jato. No caso do presidente Lula, não poderia ter intimado? Ele iria lá depor. A lei é clara. O artigo 260 do Código Processual Penal diz: se o acusado não atender intimação para o interrogatório, reconhecimento ou qualquer ato, poderá mandar conduzi-lo a sua presença. Mas se ele não atender à intimação. No caso do Lula o que fizeram? Um grande espetáculo. Atacando o presidente Lula, conflagração das ruas, passeatas... e o pior, doutor Sergio Moro, o argumento de vossa excelência que diz que foi para garantir a segurança do Lula, a fim de evitar perturbação da ordem pública. Aí, o senhor leva ao aeroporto. O que houve? Briga de grupos rivais em frente.
[Interrupção de senadores]
E falo isso porque o ministro Marco Aurélio foi muito claro. Naquele caso, o ministro Marco Aurélio disse o seguinte: "eu não entendo. Um mandato de condução coercitiva só é aplicável quando o indivíduo apresenta resistência e não aparece para depor". E Lula não recebeu intimação. E diz mais ele: "Será que ele (Lula) quer esse tipo de proteção oferecida pelo juiz Sergio Moro? Eu acredito que, na verdade, esse argumento foi dado para justificar um ato de força. Esse é um revés, e não um progresso. Somos juízes, e não legisladores ou vingadores".


Mas eu mais adiante, doutor Sergio Moro, para mostrar abuso no Judiciário: interceptação telefônica de uma conversa da presidenta Dilma com o presidente Lula. Vossa Excelência gosta muito, vai muito e fala dos Estados Unidos. Imagine nos Estados Unidos, um juiz de primeira instância do Texas gravar uma conversa de Bill Clinton com Obama e divulgar em horário nobre horas depois da gravação. Foi isso que houve naquele casa. E o senhor sabe que foi uma gravação ilegal, porque o senhor já tinha mandado interromper interceptação às 11h12 da manhã. A gravação foi às 13h32. 6h da tarde estava na Globonews. Dá para aceitar isso? Naquele caso, o ministro Teori disse o seguinte: determinou que "as razões dadas pelo juiz Moro eram insuficientes para justificar essas medidas excepcionais, que foram tomadas por razões meramente abusivas. Quem diz é o ministro Teori. Ele diz mais: em linhas gerais, houve usurpação de competência do STF no curso da interceptação telefônica deferido pelo juízo reclamado, tendo como investigado Luiz Inácio Lula da Silva, foram captadas conversas com a presidenta da República. O magistrado de primeira instância, ao constatar a presença de conversas de autoridades com prerrogativa de foro, como é o caso da presidenta da República, deveria encaminhar essas conversas interceptadas para o Supremo Tribunal Federal". Vai mais o ministro Teori: "a divulgação pública – porque tem uma lei de interceptação telefônica; o artigo 8º diz que não pode haver vazamento – é inaceitável, contra uma regra constitucional expressa. Não é razoável dizer que o interesse público justifica a divulgação ou que as partes afetadas são figuras públicas. É preciso reconhecer a irreversibilidade dos efeitos práticos decorrentes da divulgação indevida de conversas telefônicas". Tem mais: para quê divulgar conversa da ex-primeira dama, dona Marisa, e dos seus filhos. Conversas íntimas, de sua nora. Nós não podemos aceitar isso. Estou discutindo abusos. Tem mais: interceptação de advogados. Isso em canto nenhum do mundo é aceito.
Tem uma nota da OAB. Gravaram o escritório de advocacia que defendia o presidente Lula. 25 advogados gravados, 300 clientes. Tem uma nota da OAB contra isso. Prisões preventivas abusivas. Tem um caso agora do funcionário da OAS: foi preso preventivamente por nove meses, condenado pelo juiz Sergio Moro a onze anos de prisão. O caso foi para o TRF e sabe o que aconteceu? Absolvido por unanimidade. Agora, o senhor prendeu por nove meses em prisão preventiva. Como restituir isso?


Esse uso abusivo de prisão preventiva está acontecendo a todo instante. Eu falo isso para encerrar meus questionamentos. Volto a dizer: nós defendemos investigações amplas, mas achamos que investigações amplas podem ser conduzidas respeitando a lei. É isso que está em jogo aqui. Estou tendo coragem para vir aqui para dizer o seguinte: acho que vivemos uma escalada autoritária. Há ameaça ao Estado democrático de Direito. Há elementos de Estado de Exceção se construindo.
O filósofo italiano Giorgio Agamben fala da convivência do Estado de Exceção com o Estado de Direito. Muitos falaram de Rui Barbosa. Citei Agamben porque me impressionou quando houve a reclamação do presidente Lula no TRF-4 e disseram que, no caso da Lava Jato, é uma situação excepcional. Como situação excepcional? Toda investigação tem que respeitar a lei. No caso da interceptação telefônica, não houve respeito à lei. Encerro falando de Rui Barbosa, que dizia: "a pior ditadura é a do Judiciário, porque contra ela você não tem a quem recorrer".


[PRESIDENTE DO SENADO RENAN CALHEIROS, ATENDENDO A PEDIDO, CONCEDE A PALAVRA AO JUIZ SERGIO MORO, CITADO EM DISCURSO ANTERIOR]
Juiz Sergio Moro: Sou um magistrado e esse caso Operação Lava Jato envolve casos que já foram julgados e casos, no entanto, que encontram-se pendentes. Não seria prudente da minha parte discutir esses casos pendentes, porque poderia ter interferência no meu julgamento deles, e mantenho essa imparcialidade. Teria o prazer em discutir esses casos, o que foi feito especificamente com a Petrobras quando isso fosse encerrado e dar minha opinião sobre o saque que foi feito. Mas fico preocupado – e aqui externo essa posição. Há essa afirmação de que o projeto da lei de abuso de autoridade não tem nenhuma intenção de frear a operação Lava Jato. Há essas afirmações de que a operação Lava Jato é sagrada, mas não obstante, com todo respeito ao eminente senador, aqui está se afirmando que eu, na condução do caso, cometi abuso de autoridade e devo ser punido. Parece-me claro que há uma intenção – não digo em relação a todos – clara de que o projeto de lei de abuso de autoridade seja utilizado especificamente para criminalizar condutas de autoridades envolvidas na operação Lava Jato. Para mim, ficou evidente com o discurso do eminente senador que o propósito é exatamente esse ao afirmar categoricamente que eu teria cometido atos de abuso de autoridade na condução dessa operação.


A questão a ser colocada é saber exatamente: é essa a intenção do projeto ou não é? Se for essa a intenção do projeto, insisto na necessidade ou do adiamento – porque vai passar um recado errado para a população – ou pelo menos a colocação dessas normas de salvaguarda para o juiz saber – e não digo aqui só o juiz de primeira instâncias... Várias das minhas decisões proferidas (e pode sempre haver discordância em relação a elas) foram mantidas pelo Tribunal Regional Federal da 4ª região, pelo Tribunal Superior Eleitoral e várias vezes por unanimidade, mesmo em relação a prisões preventivas decretadas na operação Lava Jato, pelo Supremo Tribunal Federal. Então, a intenção é essa: criminalizar todas essas autoridades? Porque há divergência eventual na interpretação que foi adotada pelos juízes.
Se a operação Lava Jato, como muitos dizem, é de fato sagrada, então tem que se pensar acerca da proposição dessa inovação na lei de abuso de autoridade e na intenção aparentemente explícita de que sejam criminalizados agentes envolvidos nessa operação.

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