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Aécio Neves foi citado por quatro delatores na Lava-Jato

janeiro 30, 2017


O nome do senador Aécio Neves (PSDB-MG), um dos principais líderes do impeachment de Dilma Rousseff, foi citado durante as investigações da Operação Lava-Jato por quatro delatores. 


Delator confirma proprina a Aécio Neves conexão política

Conheça os casos: 
Propina de Furnas (1) 
1) Em um dos depoimentos de sua delação premiada, o doleiro Alberto Youssef disse ter ouvido do ex-deputado José Janene (filiado ao PP, morto em 2010) que Aécio dividiria uma diretoria de Furnas com o PP e que uma irmã dele faria uma suposta arrecadação de recursos junto à estatal. Furnas é uma empresa de economia mista ligada ao Ministério de Minas e Energia. A arrecadação e distribuição de propina teria ocorrido entre 1996 e 2000, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Em 25 de agosto do ano passado, durante acareação entre Youssef e Paulo Roberto Costa (ex-diretor de Abastecimento da Petrobras) na CPI da Petrobras, o doleiro reiterou que Aécio recebeu dinheiro desviado de Furnas. 


— Eu confirmo (que Aécio teria recebido dinheiro de corrupção) por conta do que eu escutava do deputado José Janene, que era meu compadre e eu era operador dele — respondeu Youssef a uma pergunta de um deputado. 
O que aconteceu:
Em 2015, o ministro do STF Teori Zavascki arquivou o caso por insuficiência de informações, seguindo proposta do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. 


2) Propina da UTC 
Em julho do ano passado, o entregador de valores Carlos Alexandre de Souza Rocha, conhecido como Ceará, disse — em depoimento ligado à sua delação premiada — ter ouvido que Aécio era "o mais chato" na cobrança de propina junto à empreiteira UTC. Ceará, que era um dos contratados pelo doleiro Alberto Youssef para transportar valores, disse ter levado R$ 300 mil a um diretor da UTC no Rio e que o dinheiro seria destinado ao senador do PSDB. Ainda de acordo com Ceará, esse diretor, de sobrenome Miranda, estava ansioso pela "encomenda" e que teria dito: 
— Esse dinheiro tá me sendo muito cobrado. 
O que aconteceu: 


Em fevereiro deste ano, o ministro do STF Teori Zavascki decidiu arquivar o caso por insuficiência de informações. 
3) Propina de Furnas (2) 

Em 3 de fevereiro deste ano, o lobista Fernando Moura, em depoimento ao juiz Sergio Moro, disse ter ouvido relato de uma suposta divisão de propina proveniente da estatal Furnas entre o PT e Aécio Neves. Conforme Moura, que fez acordo de delação premiada, a indicação de Dimas Toledo para um cargo de direção de Furnas foi feita por Aécio logo depois da eleição de 2002, quando Lula foi eleito presidente pela primeira vez. Moura é apontado pela Lava-Jato como lobista ligado ao ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. Segundo o delator, ao assumir a diretoria, Dimas Toledo disse a ele que "em Furnas era igual", numa referência ao esquema de propina. Ele disse: 
— Não precisa nem aparecer aqui. Vai ficar um terço São Paulo, um terço nacional e um terço Aécio — afirmou Moura em depoimento. 
O que aconteceu:


O caso ainda não teve desdobramento. 
4) Interferência na CPI 


No acordo de delação premiada que negocia com a Justiça, o senador Delcídio Amaral (suspenso pelo PT) fez referência a uma suposta atuação de Aécio em uma CPI do Congresso. A parte do conteúdo do depoimento que vazou não dá detalhes de como teria sido essa atuação. Reportagem do jornal Folha de S.Paulo afirma que Delcídio teria sinalizado a interlocutores que pode detalhar à Justiça negociações feitas entre ele e Aécio na CPI dos Correios, em 2006, que investigou o mensalão. À época, Aécio era governador de Minas Gerais, e o PSDB local entrou no foco das investigações porque tinha adotado esquema semelhante para financiar campanhas eleitorais. 

UM TUCANO PRESO

dezembro 19, 2016
  ‘Trensalão’ e Furnas: Processos e escândalos envolvendo tucanos ou ocorridos durante gestões do PSDB estão emperrados na Justiça. O que explica este ‘fenômeno’?
Por que escândalos de corrupção envolvendo tucanos não avançam na Justiça?
                                                              Um tucano Preso : PSDB 
                                                                           Conexão Política

Nos últimos anos, em um processo que começou com o mensalão e avança agora com a operação Lava Jato, o brasileiro se acostumou com algo até então considerado improvável: ver políticos no banco dos réus. Ex-ministros, senadores, tesoureiros e líderes partidários foram condenados a penas de prisão em regime fechado. A lei parecia finalmente se voltar para os crimes de colarinho branco cometidos por aqueles que integram o establishment político. Se por um lado processos contra o PT e partidos de sua base aliada avançam em ritmo acelerado, o mesmo não se pode dizer dos dois grandes escândalos de gestões do PSDB. Inquéritos estacionados há anos, juízes arquivando denúncias e penas prescrevendo: esta é a história da lista de Furnas, do trensalão e do mensalão tucano.

O primeiro caso citado trata-se de um documento de cinco páginas divulgado pela revista Carta Capital em 2006 que trazia os nomes de políticos supostamente agraciados com contribuições de campanha frutos de um esquema de caixa dois envolvendo a Furnas Centrais Elétricas, empresa de capital misto do setor elétrico, subsidiária da Eletrobras. No total, 156 políticos teriam recebido 40 milhões de reais no pleito de 2002 – 5,5 milhões teriam irrigado a campanha de Aécio Neves. Geraldo Alckmin e José Serra também apareciam na planilha. Os tucanos sempre questionaram a autenticidade do documento: “É uma das mais conhecidas fraudes políticas do País (…) uma tentativa de dividir atenção da opinião pública”, afirmou Aécio em meio ao escândalo do mensalão. Por outro lado, laudos da Polícia Federal apontaram para a legitimidade da lista.
A lista voltou à tona graças a depoimentos de delatores da Lava Jato. O doleiro e delator da operação da PF Alberto Youssef afirmou, em 2015, ter ouvido do ex-deputado José Janene (PP) —morto em 2010— que parte da propina arrecadada em contratos de uma diretoria da Furnas seria dividida com Aécio. Após analisar o conteúdo do depoimento do delator, a Procuradoria-Geral da República optou por não incluir o senador entre os investigados por considerar que faltavam evidências contra ele. Posteriormente o lobista Fernando Moura, amigo do ex-ministro José Dirceu e ligado ao PT,
disse perante o juiz federal Sérgio Moro que Furnas era controlada pelo tucano e operava com um esquema de propinas semelhante ao da Petrobras. “É um terço São Paulo, um terço nacional e um terço Aécio“, disse Moura. Instado a explicar a afirmação, o lobista disse que o núcleo de São Paulo seria o PT estadual e o grupo político de Dirceu, enquanto que o núcleo nacional seria o diretório nacional da legenda. Ainda segundo o delator, a indicação de Dimas Toledo para direção da estatal do setor elétrico teria sido feita pelo senador tucano, pouco depois da eleição de Lula em 2002.
“O Dimas na oportunidade me colocou que, da mesma forma que eu coloquei o caso da Petrobras, em Furnas era igual. Ele falou: ‘Vocês não precisam nem aparecer aqui, vocês vão ficar um terço São Paulo, um terço nacional e um terço Aécio”, relatou o lobista ao magistrado. O delator chegou a ser ameaçado com a perda dos benefícios de seu acordo com a Justiça, uma vez que mudou um de seus depoimentos envolvendo Dirceu –o que o fez voltar atrás e incriminar novamente o ex-ministro de Lula de ter lhe recomendado que deixasse o país na época das denúncias do mensalão. Aécio negou qualquer envolvimento no caso, e disse que é uma tentativa do Governo de colocar no colo da oposição um escândalo que é “do PT“.
Em março de 2012 o juiz federal Roberto Dantes de Paula remeteu o processo para a Justiça Estadual do Rio de Janeiro, onde ele voltou à etapa de inquérito –investigação preliminar. À época a procuradoria da República já havia denunciado 11 pessoas por envolvimento no esquema, entre elas o ex-diretor da empresa Dimas Toledo. Até o momento, quase quatro anos após a mudança de foro do processo, a Polícia não apresentou suas conclusões sobre o caso para que o Ministério Público possa oferecer nova denúncia. A reportagem não conseguiu falar com a delegada Renata Araújo dos Santos, da Delegacia Fazendária do Rio, responsável pela investigação.
Cartel de trens e metrô

O outro escândalo tucano é ainda mais antigo que a lista de Furnas. Batizado de trensalão, trata-se de um esquema de pagamentos de propina e formação de cartel para disputar licitações do Metrô e da CPTM no Estado de São Paulo. Os primeiros indícios de corrupção do caso surgiram em 1997, durante o Governo do tucano Mário Covas, morto em 2001. À época a Polícia Federal indiciou 10 pessoas ligadas à gestão do governador. Dez anos depois, supostas propinas pagas pela empresa Alstom começam a ser investigadas em vários países, e em 2008 um funcionário da Siemens detalha o esquema de propinas em projetos do Metrô e da CPTM de São Paulo e do Metrô do Distrito Federal. Posteriormente, a Siemens decidiu procurar o Conselho Administrativo de Defesa Econômica para delatar a existência do cartel. Mais de uma dezena de processos do caso tramitam na Justiça, a maioria deles relacionados a contratos superfaturados para reforma e manutenção de trens. O período no qual o cartel agia abrange os Governos dos tucanos Mário Covas, Geraldo Alckmin, e José Serra, além de Claudio Lembo, que à época era do PFL (atual DEM). Nas estimativas do MP, o esquema pode ter dado prejuízos de mais de 800 milhões de reais aos cofres públicos.

Até o momento, apenas executivos das empresas envolvidas foram denunciados, nenhum político com foro privilegiado responde na Justiça pelo caso. Alckmin afirma que o Estado foi a grande vítima do caso: “O Governo do Estado entrou com uma ação contra todas as empresas, inclusive exigindo indenização do erário público”. Já Serra garante que durante sua gestão o preço dos serviços contratados baixou: “Nós fizemos uma luta anticartel, para pagar 200 milhões de reais a menos”.
A tramitação dos processos, no entanto, não ocorre sem entreveros. Uma das denúncias do MP contra o ex-executivo da Siemens Marco Missawa foi arquivada pelo juiz Rodolfo Pellizari. Especialistas consultados pelo EL PAÍS afirmam que é bastante raro que o juiz peça o arquivamento de uma denúncia robusta do Ministério Público. No final de 2015 o
Ministério Público recorreu da decisão, e o Tribunal de Justiça de São Paulo determinou em dezembro passado que o magistrado aceite a denúncia: “Da mesma forma como não se aceita condenação precipitada, desrespeitando-se os princípios do contraditório e da ampla defesa, também não se aceita decisão prematura“, disseram os juízes.
O promotor Marcelo Mendroni, responsável pelo processo, questiona a isenção deste juiz para julgar um caso que ele já mandou arquivar. “Fica difícil não dizer que haverá uma certa suspeição, uma vez que o juiz achava que a evidência
não era suficiente nem para aceitar a denúncia, dificilmente vai achar suficiente para condenar”, afirma. “Mas não há o que fazer”. Mendroni diz também que não é possível comparar as investigações do cartel de trens em São Paulo com a Lava Jato, uma vez que as operação que apura corrupção na Petrobras conta com uma força-tarefa com vários promotores: “Aqui nós vamos nos desdobrando“. O promotor acredita que ainda neste semestre terá início o julgamento.
Em fevereiro de 2015 o Supremo Tribunal Federal arquivou um pedido para investigar o deputado federal Rodrigo Garcia (DEM-SP) e o ex-deputado federal José Aníbal (PSDB-SP), que haviam sido citados por um executivo da Siemens como beneficiários de propinas no esquema de fraudes do trensalão. Até o momento ninguém foi condenado no caso.
Mensalão tucano

A figura mais emblemática da suposta impunidade tucana é o ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo (PSDB). Ele foi condenado em dezembro de 2015 a 20 anos e dez meses de prisão em regime fechado por peculato e lavagem de dinheiro no caso conhecido como mensalão tucano, ocorrido há 17 anos. Os crimes, supostamente ocorridos em 1998, foram denunciados pela Procuradoria-Geral da República apenas em 2007. No ano passado, após a PGR pedir pena de 22 anos para o então deputado federal, ele renunciou ao mandato. Com isso, ele perdeu o foro privilegiado mas ganhou tempo, pois o julgamento do seu caso voltou para a Justiça comum, em primeira instância. Entre o Supremo Tribunal Federal – que o julgaria se mantivesse o foro – enviar o processo de volta à Vara correspondente e a juíza Melissa
Pinheiro Costa Lage emitir sua decisão nesta quarta, se passaram 21 meses. Como a decisão foi de primeira instância, ele poderá aguardar a tramitação de seus recursos em liberdade, e existe a expectativa de que os crimes atribuídos a ele tenham prescrito antes de acabarem os recursos. Neste caso, Azeredo não chegará a cumprir pena alguma.
À época da remessa dos autos do STF para a Justiça comum, o então presidente da Corte, Joaquim Barbosa, criticou a manobra do tucano: “O processo tramita aqui há nove anos […]. Só de abertura da ação penal vamos para mais de quatro anos. Não parece bom para o tribunal permitir essa valsa processual, esse vai e volta”. A demora da Justiça em condenar os responsáveis pelo mensalão tucano não passou despercebida pela juíza. “Triste se pensar que, talvez toda essa situação, bem como todos os crimes de peculato, corrupção e lavagem de dinheiro, tanto do presente feito, quanto do mensalão do PT, pudessem ter sido evitados se os fatos aqui tratados tivessem sido a fundo investigados quando da denúncia formalizada pela coligação adversária perante a Justiça Eleitoral“.
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LAVA JATO: Odebrecht confirma repasse de R$ 2 milhões para Geraldo Alckmin do PSDB

dezembro 09, 2016
Segundo informa a Folha, “a Odebrecht afirmou, no acordo de delação premiada com a Operação Lava Jato, que realizou pagamento de caixa dois, em dinheiro vivo, para campanhas do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB)”. Teriam sido repassados R$ 2 milhões para Adhemar Ribeiro, irmão da primeira-dama, Lu Alckmin, em 2010.  Em 2014, quem teria recebido os recursos é o hoje secretário de Planejamento do governo paulista, Marcos Monteiro.



Os depoimentos dos 77 executivos da Odebrecht começaram nesta semana. A maioria fica para a próxima. Mas, como se vê, o mercado político já está se movimentando. Por intermédio da assessoria, o governador afirma que “é prematura qualquer conclusão com base em informações vazadas de delações não homologadas”. A nota acrescenta: “Apenas os tesoureiros das campanhas, todos oficiais, foram autorizados pelo governador Geraldo Alckmin a arrecadar fundos dentro do que determina a legislação eleitoral”. E, como se sabe, os dois que teriam cuidado da negociação não exerciam tal função.

Dizer o quê? Que se cumpra a lei. E isso vale para Alckmin e para qualquer outro.

Todos sabem que o governador de São Paulo é um pré-candidato tucano à Presidência da República. As pedras já estão se movendo. José Serra, ministro das Relações Exteriores, apoia, por exemplo, a recondução do senador Aécio Neves (MG) ao comando do PSDB. Eles dois também querem aquela cadeira e foram, igualmente, colhidos por denúncias. E se pode apostar que a fila de implicados pela empreiteira vai ser grande.

O PMDB não vive melhor sorte, e os petistas voltaram a se agarrar à sua única tábua: Lula. Ocorre que ele já é réu três vezes. Os grandes partidos vivem um transe. Impossível saber como chegarão a 2018. Falta menos tempo do que parece. Como esquecer que, depois de dois anos e meio de Lava Jato, Rodrigo Janot ainda não tenha apresentado nenhuma denúncia contra Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado.

A solução, qualquer que seja ela, vai demorar. A imprensa tem de publicar o que apura e ponto; não é guardiã de sigilos, mas os servidores públicos são. A estratégia de vazamentos vai minando o pouco que resta de confiança. Reparem já no número de aventureiros que se dizem… candidatos. Principal qualidade a ser exibida: “Não estou na Lava Jato”.

Quem disser que sabe o que vai acontecer em 2018 está mal informado.

Os santos do PSDB

novembro 01, 2016


Conexão Política - Os Santos Aécio,Serra,FHC e Alckmin. 

Atualmente a grande maioria das siglas partidárias brasileiras possuem algum tipo de envolvimento em acusações sobre corrupção. Mas acusação é diferente de condenação e culpa. Para alguém ser considerado de fato corrupto, culpado e “fixa suja”, precisa ser condenado por algum crime de corrupção. Acusações apenas não bastam para classificar alguém como corrupto.
         Contudo, algumas considerações precisam ser feitas sobre a forma como o PSDB, na campanha presidencial de Aécio Neves e na campanha estadual de Pimenta da Veiga, age com relação a esse assunto, tratado por eles com dois pesos e duas medidas.
         As duas campanhas enfatizam drasticamente a ideia de que o governo federal do PT nas gestões de Lula e de Dilma Rousseff tiveram graves escândalos de corrupção. Não estão errados em dizer isso, porém, eles tratam denúncias como casos encerrados e com isso fazem dois pesos duas medidas, pois seus governos são alvos também de inúmeras acusações e graves escândalos, com a diferença que a maioria deles não foram sequer investigados e acabaram literalmente engavetados.

                                          O mensalão Tucano
         Denúncias sobre corrupção na Petrobrás, por exemplo, foram feitas aos montes durante o governo de FHC, em que Aécio Neves exercia mandato de deputado federal e era líder da base governista e da câmara dos deputados. No mesmo período Pimenta da Veiga era ministro do mesmo governo e ambos são do mesmo partido de FHC, o PSDB. Até uma plataforma chegou a ser afundada no mar e as investigações sobre todos esses casos nunca avançaram, foram esquecidas e até hoje a sociedade não teve uma resposta sobre o assunto.


Enfim, com a quantidade de acusações que o PSDB tem nas costas, o mais correto seria eles nunca falaram desse tema, mas infelizmente eles foram bem sucedidos em abafar os seus casos e boa parte da população tem memória curta e já não se lembra mais tão bem dos tempos de FHC, em que havia desemprego e arrocho salarial crescente, bem como corrupção não investigada e até racionamento de luz.


         Os casos de compras de votos também são extensos, a começar pela denúncia de compra de votos para a reeleição de FHC, seguida do mensalão do PSDB, que ocorreu em Minas Gerais, no governo do governador Eduardo Azeredo, do PSDB. Pimenta da Veiga é diretamente citado como investigado no caso. Aécio Neves era deputado pelo PSDB e um dos principais articuladores entre o governo de Minas Gerais e o governo federal de FHC, também do PSDB.

                                         Conexão Política - A Privataria Tucana  
         Pulando vários casos, que podem ser achados facilmente na internet, outro caso recente e significativo foi a da construção de um aeroporto na cidade de Cláudio, feito pelo governo de Minas na gestão de Aécio Neves do PSDB, construído dentro das terras da fazenda de um tio avô de Aécio. Outros aeroportos construídos no mesmo período possuem problemas semelhantes, como o de Itabira, que está localizado em um local onde não há nenhum aeroporto, embora o dinheiro tenha sido gasto. Houve também uma acusação grave envolvendo o governo de São Paulo, do PSDB, sobre desvio de dinheiro do metrô de São Paulo, mas o caso tem pouca atenção da grande mídia e sofre tentativas de abafamento pelo atual governo de São Paulo.
         Todos esses casos são acusações e precisariam ser investigados. Muitos deles já foram arquivados, pois no período FHC a polícia Federal não tinha tantos equipamentos e nem tanta autonomia quanto adquiriu nos últimos anos para investigar tudo. O governo daquela época não só negava as acusações (o que é um direito inquestionável) como não fazia esforços para que as investigações andassem e ainda buscava abafar os casos. Até hoje, quando questionados, esses políticos jamais apoiam que os casos sejam reabertos e investigados.

         Mas o ponto central aqui é a forma como Aécio Neves e Pimenta da Veiga tratam as acusações de corrupção com dois pesos e duas medidas. Quando as acusações são contra eles elas são apenas acusações. Quando as acusações são contra seus rivais, elas são prova cabal de corrupção.
         Aécio mesmo, nos debates, reclama que a Petrobrás tem atualmente frequentado muito as páginas policiais e que isso envergonha o Brasil, como se acusações fossem prova de culpa e como isso provasse que realmente tenha havido tais casos de corrupção. Seria melhor então fazer como antes, no governo de FHC, do PSDB, abafando o caso e engavetando o processo?
         Mas se o fato de sofrer acusação for um sinônimo de culpa, então ver o PSDB falar sobre corrupção é como ver um ladrão falar sobre honestidade, uma vez que se trata de um dos partidos que mais têm acusações em seu currículo. Aliás, acusações muito mais graves, envolvendo muito mais dinheiro, como é o caso do metrô de São Paulo, por exemplo.


         Nessas eleições de 2014, só para citar outro exemplo, o PSDB foi o partido que teve o maior número de candidatos barrados pela lei da ficha limpa. Como então acusar os outros de corrupção com um currículo desses? E o que dizer das privatizações, como a da Vale do Rio Doce, vendida a preço de banana e envolvida em denúncias em que membros do PSDB teriam lucrado com essa venda feita a baixo preço?
         Aécio quer se passar como o candidato da ética, mas está no partido que mais teve candidaturas barradas pela ficha limpa nessa eleição de 2014. Ele é alvo de graves denúncias de corrupção em Minas Gerais, como a dos aeroportos e outras. Para piorar, mesmo com todas essas acusações que o rodeiam, ele trata acusações sobre outros candidatos como se fossem casos resolvidos e diz que está cansado de tanta corrupção na Petrobrás. Mas será que é ético acusar os outros por casos de corrupção que ainda estão sendo investigados, quando também se é alvo de investigação em casos semelhantes?
         Enfim, com a quantidade de acusações que o PSDB tem nas costas, o mais correto seria eles nunca falaram desse tema, mas infelizmente eles foram bem sucedidos em abafar os seus casos e boa parte da população tem memória curta e já não se lembra mais tão bem dos tempos de FHC, em que havia desemprego e arrocho salarial crescente, bem como corrupção não investigada e até racionamento de luz.


Corrupção Tucana : Aécio,Serra,FHC e Alckmin

outubro 31, 2016


O candidato do PSDB à presidência, Aécio Neves, se apresenta como o candidato da ética e da moralidade, mas são muitos os escândalos de corrupção que lançam suspeitas não apenas sobre ele, mas também sobre seus colegas tucanos e aliados. Escândalos esses em torno dos quais o PSDB opera para que não tenham  destaque da mídia e não sejam investigados. Confira aqui 14 deles:

1 – Escândalo da Petrobrás: valor ainda não contabilizado

O candidato do PSDB à presidência da República, Aécio Neves, adora criticar a candidata do PT à reeleição, Dilma Rousseff, pelo suposto envolvimento de petistas no escândalo da Petrobrás. As investigações, entretanto, apontam também para o possível envolvimento de lideranças tucanas. Em depoimento, o ex-diretor da estatal, Paulo Roberto Costa, afirmou ter pago propina ao ex-presidente do PSDB, Sérgio Guerra, que morreu este ano, para ele ajudar a esvaziar uma CPI criada em 2009 para investigar a Petrobrás.






2 - Desvio das verbas da saúde mineira: R$ 7,6 bilhões



Na última terça (14), no debate da Band, a presidenta Dilma acusou Aécio Neves de desviar R$7,6 bilhões da saúde quando foi governador de MG. O tucano disse que ela estava mentindo e, então, Dilma convidou os eleitores a acessarem o site do Tribunal de Constas do Estado (TCE). Naquela noite, o site saiu do ar, segundo o TCE devido à grande quantidade de acessos. Nesta quarta (15), o site voltou, mas os documentos citados por Dilma desapareceram por cerca de 4 horas, até a imprensa denunciar a manobra. A presidenta do TCE, Adriane Andrade, foi indicada por Aécio e é casada com Clésio Andrade (PMDB), seu vice-governador no primeiro mandato.

3 – Aecioporto de Cláudio: R$ 14 milhões

Quando era governador de Minas Gerais (2003-2010), Aécio construiu cinco aeroportos em municípios pequenos, todos eles nas proximidades das terras de sua família. O caso mais escandaloso foi o de Cláudio, com cerca de 30 mil habitantes e que já fica próximo a outro aeroporto (o de Divinópolis, há apenas 50 Km). A pista, que foi construída a 6 Km da fazenda do presidenciável, fica nas terras do tio-avô de Aécio, desapropriadas e pagas com dinheiro público. Quem cuida das chaves do portão são os primos de Aécio. Custou R$ 14 milhões aos cofres mineiros.

4 – Relações com Yusseff : R$ 4,3 milhões


O doleiro Alberto Yousseff ficou conhecido nacionalmente devido ao seu envolvimento no escândalo da Petrobrás. Mas a Polícia Federal também investiga os serviços prestados palas empresas de fachada do doleiro para uma outra estatal, a mineira Cemig, controlada há anos pelo PSDB de Aécio Neves, principal líder do partido no Estado. As suspeitas é que a Cemig tenha sido usada para engrossar o caixa do grupo, através da parceria com a empresa Investminas, uma sociedade de propósito específico, criada para construir e operar pequenas hidrelétricas, cuja única operação comercial foi uma parceria firmada com a Cemig. Vendida à Light, a participação na sociedade rendeu à Investminas, em poucos meses, R$ 26,586 milhões,  um ágil surpreendente de 157%. Três semanas depois, R$ 4,3 milhões foram depositados pela Investminas na conta MO Consultoria, empresa de fachada usada por Yousseff. As suspeitas é que tenham sido destinados a pagar os agentes públicos envolvidos na operação. O caso ainda está sob investigação.

5 - Favorecimento aos veículos da Família Neves: valor não contabilizado

Nem Aécio Neves e nem o governo de MG divulgam qual a fatia da publicidade oficial do estado foi parar nos meios de comunicação da família do presidenciável, de 2003 até agora. E a falta de transparência, claro, gera suspeitas. A família Neves controla a Rádio Arco Íris, retransmissora da Jovem Pan em Belo Horizonte, e as rádios São João e Colonial, de São João del Rei, além do semanário Gazeta de São João del Rei. Aécio é sócio da Arco Íris com a mãe e irmã mais velha, Andrea que, quando ele foi governador, era coordenadora voluntária do grupo de assessoramento do governo que tinha como atribuição estabelecer as políticas de comunicação do governo e aprovar os gastos em publicidade.

6 -Nepotismo em Minas

Aécio diz que é a favor da meritocracia, mas, além de receber pelo gabinete do pai, em Brasília, quando morava no Leblon, de 1980 a 1983, não deixou de empregar parentes quando governou Minas. A lista é longa. Oswaldo Borges da Costa Filho, genro do padrasto do governador, foi presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico e Minas Gerais. Fernando Quinto Rocha Tolentino, primo, assessor do diretor-geral do Departamento de Estradas e Rodagem (DER/MG). Guilherme Horta, outro primo, assessor especial do governador. Tânia Guimarães Campos, prima, secretária de agenda do governador. Frederico Pacheco de Medeiros, primo, era secretário-adjunto de estado de Governo. Ana Guimarães Campos e Júnia Guimarães Campos, primas, servidoras do Servas. Tancredo Augusto Tolentino Neves, tio, diretor da área de apoio do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG). Andréia Neves da Cunha, irmã, diretora-presidente do Serviço de Assistência Social de Minas Gerais (Servas). Segundo Aécio, o trabalho da irmã era voluntário.

7 – Mensalão tucano: pelo menos R$ 4,4 milhões



Trata-se do esquema de desvio de verbas de empresas públicas armado em Minas Gerais, em 1998, para favorecer a reeleição do então governador tucano Eduardo Azeredo. Além dos políticos tucanos, os acusados são os mesmos responsabilizados pelo chamado “mensalão petista”: o publicitário Marcos Valério e os diretores do Banco Rural. Entretanto, embora tenha acontecido antes, o esquema tucano ainda não foi julgado. E mais, não o será pelo STF, 
mas pela justiça comum. O processo está engavetado há tanto tempo que vários envolvidos já se beneficiaram pela prescrição. Pela denúncia feita pelo Ministério Público, foram desviados pelo menos R$ 4,4 milhões. Mas os valores são discutíveis: como as operações de algumas empresas públicas, como a Cemig, ficaram de fora da denúncia, há quem defenda que possa ser bem maior.



8 - Mensalão tucano II: R$ 300

As conexões dos tucanos com o esquema de Marcos Valério são profundas. O candidato derrotado ao governo de Minas Gerais pelo PSDB nas eleições deste ano, Pimenta da

Veiga, é alvo de um inquérito da Polícia Federal que investiga porque ele recebeu, em 2003, um total de R$ 300 mil de agências de publicidade de Marcos Valério.

9 – Máfia do Cachoeira: valor não contabilizado

Em 2012, o Congresso instalou uma CPI para investigar as relações entre a máfia do bicheiro Carlinhos Cachoeira com agentes públicos e privados. Entre os públicos, estavam o ex-senador Demóstenes Torres (à época filiado ao DEM), o então governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) e o então procurador-geral da República, Roberto Gurgel, acusado de prevaricar ao descontinuar as investigações da Polícia Federal. Entre os agentes privados, destacaram-se veículos de imprensa, como a revista Veja, e empreiteiras, como a construtora Delta. Em função da pressão política dentro do parlamento, para aprovar seu relatório final, o deputado Odair Cunha (PT-MG) teve que retirar os pedidos de indiciamento de jornalistas e do ex-procurador geral. O mandado de Demóstenes no Senado foi cassado, mas, por decisão do ministro do STF, Gilmar Mendes, o mais afinado com o ideário tucano, ele teve o direito de reassumir sua vaga de promotor em Goiás.



10 – Cartel dos metrôs de SP e DF: pelo menos R$ 425 milhões

O escândalo vem de longa data, mas até agora nenhum político foi punido. Envolvem dois casos diferentes, mas com relações entre si: o Casol Alston, a multinacional francesa que teria subornado políticos ligados ao governo Alckmin para ganhar o contrato da expansão do metrô de SP, e o Caso Simiens, a empresa que admitiu ter formado cartel com outras 13 para fraudar as licitações do metrô de SP e do DF. A Simens entregou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) uma série de documentos que comprovam que o governo tucano tinha conhecimento da formação do cartel. Reportagem da Istoé estimou em R$ 425 milhões de reais os prejuízos para os cofres públicos. No Caso Alston, a PF indiciou, por corrupção passiva, o vereador Andrea Matarazzo (PSDB), ex-ministro do governo FHC.

11 - Privataria tucana: R$ 124 bilhões 
Registradas e documentadas no livro “A Privataria Tucana”, de Amaury Ribeiro Junior, as denúncias revelam os descaminhos do dinheiro público desviado pelos tucanos na era das privatizações, instaurada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e seu então ministro da Fazenda, José Serra. Resultado de 12 anos de investigação do ex-jornalista da Isto É e de O Globo, o livro irritou o ninho tucano. Serra o classificou como “lixo”. FHC, como “infâmia”. Aécio Neves, como “literatura menor”. Pelos cálculos do deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), delegado da Polícia Federal que atuou no caso, o montante desviado dos cofres públicos pelos tucanos para paraísos fiscais chega a R$ 124 bilhões.

12 – Emenda da reeleição de FHC: valor não contabilizado



Em 1997, durante o governo FHC, a Câmara aprovou a emenda que permitiria a reeleição presidencial. Poucos meses depois, começaram a pipocar as denúncias de compra de votos pelo Executivo para aprovação da matéria. Um grampo revelou que os deputados Ronivon Santiago e João Maia, ambos do PFL do Acre, receberam R$ 200 mil cada um. Na gravação, outros três deputados eram citados de maneira explícita e dezenas de congressistas acusados de participação no esquema. Nenhum foi investigado pelo Congresso nem punido. Apesar das provas documentais, o então procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, engavetou as denúncias. No ano seguinte, FHC se reelegeu para um novo mandato. Brindeiro foi nomeado para um segundo mandato no cargo.

13 – O caso da Pasta Rosa: US$ 2,4 milhões

Em 1995, servidores do Banco Central que trabalhavam em uma auditoria no Banco Econômico encontraram um dossiê com documentos que indicavam a existência de um esquema ilegal de doação eleitoral, envolvendo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e Antônio Calmon de Sá, dono do Econômico e ex-ministro da Indústria e Comércio da ditadura. O esquema apontava a distribuição ilegal de US$ 2,4 milhões dos bancos a 45 políticos que se candidataram nas eleições de 1990, entre eles o José Serra (PSDB), Antônio Magalhães (do antigo PFL, hoje DEM) e José Sarney (PMDB). O ex-banqueiro Ângelo Calmon de Sá foi indiciado pela Polícia Federal por crime contra a ordem tributária e o sistema financeiro, com base na Lei do Colarinho-Branco. Nenhum político foi punido por causa do escândalo.



14 – Caso Sivam: valor não contabilizado

Primeiro grande escândalo de corrupção do governo FHC, o Caso Sivam, que estourou em 1995. envolve denúncias de corrupção e tráfico de influência na implantação do Sistema de Vigilância da Amazônia. O ponto alto foi quando o vazamento de gravações feitas pela Polícia Federal expôs uma conversa entre o embaixador Júlio César Gomes dos Santos, à época chefe do cerimonial de FHC, e o empresário José Afonso Assumpção, representante da empresa norte-americana Raytheon no Brasil, em que ambos defendiam os interesses dessa última no Sivam. E foi justamente a Raytheon que arrematou, sem licitação, o contrato de US$ 1,4 bilhão. O escândalo também envolvia ministros e outros assessores de FHC, além de empresas brasileiras. Em 1996, o deputado Arlindo Chinglia (PT-SP) protocolou pedido de instalação de uma CPI, que só saiu em 2001, mas de forma esvaziada. Como tinha maioria no parlamento, o governo FHC conseguiu abafar as denúncias. Ninguém foi punido.


Operação Lava Jato : MPF Denuncia empresários por propina de 10 milhões para o PSDB

setembro 06, 2016
Ministério Público Federal denunciou Ildefonso Colares Filho, ex-executivo do grupo Queiroz Galvão, e Erton Medeiros, empresário ligado à Galvão Engenharia, alvos da 33ª fase da operação deflagrada em agosto deste ano na Operação Lava Jato. Segundo a Procuradoria da República, os dois empresários são acusados pelo crime de corrupção ativa pelo oferecimento de R$ 10 milhões em propina, no segundo semestre de 2009, ao então senador Sérgio Guerra (presidente do PSDB-SP, falecido em 2014) e ao deputado federal Eduardo da Fonte (PP-PE) para que a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Petrobras, instalada no mesmo ano, não tivesse resultado efetivo.



A CPI tinha o objetivo de apurar, no prazo de 180 dias, irregularidades envolvendo a Petrobras e a ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), o que não ocorreu. Um relatório do TCU (Tribunal de Contas da União) elaborado em 2008 apontou indícios de superfaturamento na construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. As obras no Complexo Industrial e Portuário de Suape, no município de Ipojuca (local onde está localizada a Refinaria Abreu e Lima), foram orçadas no Plano Plurianual de 2008-2011 com o valor de R$ 10,1 bilhões.



Na época, em um dos contratos da refinaria, firmado no valor de R$ 429.207.776,71 pelo Consórcio RNEST (integrado pelas empresas Queiroz Galvão, Galvão Engenharia, Construtora Norberto Odebrecht S.A e Construções Camargo Corrêa S.A.), o TCU identificou indícios de superfaturamento de R$ 58,5 milhões. Para a Procuradoria, Queiroz Galvão e Galvão Engenharia eram diretamente interessadas nas apurações da CPI.

A partir de depoimento prestado na colaboração premiada de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, começou-se a investigar o oferecimento e a promessa de pagamento de propina no valor de R$ 10 milhões aos partidos de oposição e da base aliada do governo federal na época, para que a CPI que investigava a estatal não levasse à responsabilização de nenhum envolvido. Segundo o ex-diretor da estatal, durante o segundo semestre de 2009, período no qual a CPI desempenhava seus trabalhos, ocorreram encontros reservados com os parlamentares Eduardo da Fonte (PP-PE) e Sérgio Guerra (PSDB-SP) em pelo menos quatro ocasiões, nos quais foi discutido o pagamento de propina para que a comissão não tivesse efetividade.


Durante as negociações, Paulo Roberto Costa conseguiu a "autorização" do então ex-deputado federal José Janene (PP-PR) para retirar a propina da quota de propinas do Partido Progressista (PP) na diretoria de Abastecimento da estatal. Após a sinalização positiva de Janene, o então diretor de abastecimento da Petrobras marcou um encontro final para fechar a negociação em uma sala comercial de um prédio na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, em 21 de setembro de 2009.

A sala foi emprestada por um amigo de Fernando Soares, o Fernando "Baiano", também delator da Lava Jato. Além de Paulo Roberto Costa e Fernando Baiano, participaram do encontro Sérgio Guerra, o deputado Eduardo da Fonte e os empreiteiros responsáveis pelo pagamento de propina, agora denunciados, Ildefonso Colares Filho, ligado ao grupo Queiroz Galvão, e Erton Medeiros Fonseca, ex-executivo da Galvão Engenharia.

"Quando ouvidos, os envolvidos negaram ter participado da reunião. Entretanto, além dos depoimentos prestados pelos réus colaboradores, a força-tarefa teve acesso a outras provas que comprovaram a realização da reunião em 2009. A sala onde o encontro foi realizado, por exemplo, possuía um sistema de gravação de áudio e vídeo e toda a negociação espúria foi integralmente gravada e disponibilizada aos investigadores pelo colaborador Fernando Soares", relata a Procuradoria em nota.

Na gravação, Paulo Roberto Costa e Fernando Soares identificaram o momento exato em que o oferecimento de vantagem indevida foi tratado pelos interlocutores das empreiteiras com termos ocultos, como era o usual nessas negociações.

Segundo os delatores, o registro da negociação da vantagem indevida ocorre mais claramente quando Ildefonso Colares menciona querer dar "um suporte" ao então senador Sérgio Guerra. O empresário se manifesta com a seguinte frase: "dando um suporte aí ao senador", numa referência aos valores espúrios que seriam pagos ao parlamentar. Na sequência da gravação o político responde: "conversa aí entre vocês", deixando claro que caberia às duas empresas acertarem a divisão e a forma de pagamento da propina.

De acordo com a Procuradoria, "embora o crime tenha se consumado com a mera promessa de oferecimento de vantagem indevida, segundo Paulo Roberto Costa a propina foi devidamente paga, o que foi também confirmado por Alberto Youssef, responsável por gerenciar o caixa de propina do Partido Progressista".

O relatório final da CPI da Petrobras em 2009 não indiciou ninguém ou sequer mencionava as empresas Queiroz Galvão e Galvão Engenharia. A apuração parlamentar concluiu que "o conjunto de indícios de irregularidades apontados pelo TCU nas obras da Refinaria Abreu e Lima, depois da análise empreendida pela CPI, mostrou-se inconsistente".

Para a força-tarefa, "a referida CPI não chegou a resultados efetivos devido ao grande esquema criminoso que já existia na época dentro da Petrobras, tanto que este se manteve ao longo dos anos seguintes, até ser comprovado pela operação Lava Jato".

Além da denúncia pelo crime de corrupção ativa, os procuradores ainda pedem a fixação de R$ 10 milhões como o montante mínimo para reparação dos danos causados.

O procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato, afirma que as provas do pagamento de propinas a parlamentares para barrar CPIs da Petrobras, em 2009 e 2014, são perturbadoras.

"Não só porque a casa foi assaltada e o guardião subornado para garantir a impunidade. Não só porque isso aconteceu na mais alta esfera da República. Isso perturba especialmente porque se os parlamentares agiram para barrar a investigação de crimes praticados por terceiros, há uma perspectiva de que poderão agir para barrar a investigação dos crimes que eles próprios praticaram. Na medida em que o número de parlamentares investigados aumenta, nossa preocupação cresce. A sociedade precisa ficar atenta, porque reações contra a Lava Jato já começaram e se fortalecerão, tanto mediante campanhas difamatórias como por meio de iniciativas legislativas", afirma Deltan.

Em nota, a construtora Queiroz Galvão afirmou que "está cooperando com as autoridades e franqueando acesso às informações solicitadas".


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